Vivia escondida na casa de família, nos arredores de
Barcelona. Aos 25 anos assumiu publicamente a sua fé. Foi supliciada e colocada
num barril revestido interiormente com facas que rolou pela encosta onde hoje,
em Barcelona, há uma rua com o seu nome. Foi portanto testemunha de que, para
os que estão possuídos pelo amor de Cristo, tudo o resto carece de importância.
1 Reis 10,1-10 ; Sal 36, 5-6. 30-31. 39-40 ; Marcos
7,14-23
ACOLHER O OUTRO (1Reis10,1-10). A visita da célebre rainha
de Sabá, improvável historicamente, faz parte da tradição de Israel sobre a
Sabedoria. A sabedoria é a reflexão dos povos sobre a experiência acumulada, sobre
o sentido da existência e a melhor forma de a viver. Ela não é em primeiro
lugar religiosa e resulta duma meditação
prática. Ainda que raro no antigo Testamento, o enigma é uma das suas formas
literárias. Trata-se de pôr de forma imaginária um problema existencial ou
moral, para testar a subtileza do julgamento de alguém. Salomão é a figura do
rei sábio : os soberanos dos países mais ricos vinham reconhecê-lo, mas não
sabiam que a sua sabedoria resultava duma escuta atenta da palavra de Deus.
O episódio da rainha de Sabá é simbólico. Como Salomão
também recebemos visitas de rainhas de Sabá todos os dias. Elas vêm colocar-nos
questões existenciais : porque acreditas em Deus ? porquê a vida ? porquê a
morte ? O drama é não considerarmos os nossos interlocutores como rainhas mas,
sobretudo, como “zés-ninguém” e, por vezes, até como inimigos. Procedamos como
Salomão. Será pela nossa maneira de viver, de acolhermos os outros, que entraremos
na nova evangelização.
A sabedoria cristã será então a arte de saber viver
“perante” e “com” os outros.