Diaconisa em Alexandria, foi santa muito popular. Por no
martírio lhe terem partido os dentes com pedradas na boca é invocada como
protectora das dores de dentes. Preferiu morrer na fogueira, após a terem
cegado e espancado, a renegar a sua fé em
Cristo.
Isaías 58,7-10 ; Sal 111, 4-8a. 9 ; 1 Coríntios 2,1-5 ;
Mateus 5,13-16
“NÃO DESPREZAR O TEU IRMÃO.” (Isaías 58,7c). O povo queixava-se
do afastamento de Deus. Isaías tenta fazer compreender a Israel ser ele que se
afasta dO Senhor quando pratica um culto exterior, formal, interesseiro e desligado
da vida. Como poderá a luz de Deus chegar aos corações sem ser pela brecha de
abertura ao “outro”, para poder acolher O “Absolutamente-Outro” e
reciprocamente? E o profeta sugere-lhes um caminho de iluminação e de cura para
esta doença que se assemelha a uma noite do espírito : praticar a justiça com
os outros sem a qual a “caridade” é simples ilusão. Isto significa
concretamente sair da indiferença, diminuir as desigualdades sociais, renunciar
a explorar o pobre, recusar a a violência física, verbal ou económica.
Não existe pois autêntica relação com Deus sem respeito pelo
outro, sem cuidar do seu crescimento e autonomia. Cada um sabe como, nas
provações, é grande a tentação do endurecimento, da cedência ao oportunismo e
ao cinismo. O outro, então já não existe ou é instrumentalizado, enquanto
ficamos mais e mais o centro do mundo e nos deixamos dominar pelas paixões,
sejam elas a cobiça, a avareza, o medo ou o ódio. Cabe a cada um propôr os
actos simples que pode fazer : olhar à volta de si, deixar-se tocar pelo rosto
do seu semelhante em humanidade (pobre, estrangeiro, sem-abrigo, etc.),
trabalhar para restabelecer o equilíbrio desejado por Deus e roto pela avidez
do homem. De que servirá orar aO Espírito “derramado em nossos corações” (Rom. 5,5),
se o caminho para Deus não passar pelo próximo, como diz Jesus aos “benditos de
Seu Pai” (Mat.25,34), fustigando quem pretende amar Deus sem amar o próximo?
O CHAMAMENTO DO DISCÍPULO (Mateus 13-16). Em Jesus, a
Escritura é palavra e fonte. E foi com as palavras das Escrituras que Jesus
enfrentou O Maligno no deserto. Na Galiléia, Ele anunciou que “O Reino dos Céus
está próximo”, convidou-nos ao “arrependimento” e a deixar-nos tocar no coração
por esse Deus tão próximo. Ao passar nas margens do mar da Galiléia, chamou
discípulos para O seguirem e se deixarem possuir pelo mesmo desejo de Deus. Eram
pescadores e passaram a ser “pescadores” de homens. Eles seguem-nO, porque a
Sua palavra tem a clareza e a força de Deus. As multidões também O seguem
vindas de toda a parte. Apresentam-lhE os doentes e Ele cura-os. Jesus chama
então os discípulos à parte, sobre a“montanha”, lugar de ensino e revelação.
Jesus ensina-os e fala-lhes de Deus e dO Reino. As Suas primeiras palavras são
simples, límpidas, admiráveis e dizem tudo. São uma proclamação de felicidade -
as “bem-aventuranças”- para quem se deixar moldar segundo o coração de Deus. A
felicidade que Jesus anuncia é paradoxal: trata-se da felicidade dos pobres,
dos corações simples e disponíveis para Deus, a felicidade dos que perdoam e
aprendem a amar como Deus. Por isso a palavra de Jesus é radical: “Ouvistes o
que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Eu porém, digo-vos: não
resistais ao mau (…) Amai os vossos inimigos! (…) Sede perfeitos como é
perfeito o vosso Pai celeste”. Jesus expõe as exigências dO Reino e diz aos
discípulos como satisfazer o desejo de Deus: “sal para a terra” e “luz para o
mundo”. É para aqui que aponta a lei de Moisés, mas que só o alcança quando
toca o coração do homem e o transforma. Jesus revela aos discípulos os
contornos imensos do amor de Deus e convida-os a viverem assim. Ele ensina-os a
desejarem que a Sua vontade se faça “na terra como no céu”. É a oração filial
de Jesus que Ele nos transmite para orarmos da mesma maneira. O “sermão da
montanha” é um programa de longo alcance.
Um dia, reunidos à roda de Jesus, os discípulos
espantar-se-ão: “tudo isto é impossível !” “ Para os homens é impossível, dirá
Jesus, mas a Deus tudo é possível” (Mateus 19,26).