Antigo aluno de S. João Bosco, ele foi, durante quase meio
século, o reitor do santuário de “Nossa Senhora da Consolata”, em Turim.
Ben-Sirá 15,16-21 ; Sal 118,1-2. 4-5.17-18. 33-34 ; 1
Coríntios 2, 6-10 ; Mat.5,17-37
VAMOS CONTINUAR CEGOS ? As leituras deste domingo, mais uma
vez interrogam a nossa visão, a qualidade do nosso olhar, a capacidade de ver…
para além daquilo que é mostrado. O Senhor vê tudo, diz-nos Ben-Sirá, e o
salmista confirma-o:Tu conheces-me “desde o seio da minha mãe. Meus ossos não
estavam ocultos para Ti” (Salmo 138). Mas entre nós, quem o saberá reconhecer,
como Simeão no dia da apresentação de Jesus no Templo ? “Meus olhos viram a Tua
salvação, que ofereceste a todos os povos” (Luc. 2,30-31). Só a sabedoria de
Deus nos abre o olhar. Assim, O Espírito Santo é revelado aos pequeninos, ou
seja, àqueles que se fazem humildes e que pedem essa graça.
Era necessária a vinda de Jesus Cristo para que a sabedoria
de Deus fosse plenamente revelada. O que nunca ninguém vira é a partir de agora
patente aos olhos dos que acreditam n’Ele. Como uma luz, esta revelação dá-nos
a ver um Deus cujo amor vai ao ponto de morrer numa cruz pela humanidade. Deus
mostrou-Se “tal como Ele é”, em Seu Filho e pelO Seu Espírito. PelO Seu
Espírito, que vê o fundo de todas as coisas, e mesmo as profundezas de Deus. Foi
por nossa causa que esta revelação se deu. Vamos continuar cegos ainda muito
tempo ? Peçamos aO Espírito que nos ajude a mudar a nossa falsa imagem de Deus
para aquela que Ele nos oferece em Jesus Cristo. Tal como os discípulos, reunamo-nos
à volta de Jesus sobre a montanha e peçamos-lhe que nos faça adultos na fé. Não
esqueçamos que a loucura da cruz de Cristo revelou a sabedoria de Deus. Quando
Mateus reconstrói o sermão da montanha a partir das fontes, fá-lo já com a fé pascal.
É O Senhor ressuscitado a dirigir-se aos discípulos. Os cristãos tinham
reconhecido em Jesus O enviado de Deus, Sua Palavra. Jesus é o novo Moisés,
aquele que as Escrituras anunciavam. Ele não vem abolir, mas completar.
Cumprimento aqui ilustrado pelo caminho do ensino de Jesus que parte das
questões tratadas na lei de Moisés e vai à raiz de cada uma delas. As questões
são então eliminadas. O assassinato desaparece com a ausência da cólera, o
adultério apaga-se com a proibição do menor olhar de desejo, etc… O evangelista
pensa em Jesus e no Seu comportamento, ilustração viva da forma de viver a lei
de Moisés.
Na Sua vida, morte e ressurreição, Jesus cumpriu verdadeiramente
a vontade dO Pai. Os cristãos só têm que seguir e imitar O Seu Senhor.