Génesis 37, 3-4,12-13a.17b-28 ; Sal 104,16-21 ; Mateus
21, 33-43. 45-46
“ESTE É O HERDEIRO : MATEMO-LO ! ” Isaac é poupado : Deus
provou até ao fim a obediência de Abraão. José é poupado : Rubem convence os
irmãos a lançarem-no antes à cisterna. Ambos são figuras anunciadoras d’Aquele
que, esse sim, não será poupado : forma particular do pecado, a inveja faz de
nós confiscadores. O poeta Artur Rimbaud, provocador, escreveu que Cristo é “o
eterno ladrão das energias” (As Primeiras Comunhões,1871). Cristo é o único
verdadeiro confiscador. Ele confiscou a morte, para nos dar a energia da
Páscoa.
A parábola da “vinha” do evangelho deve ler-se ao nível da
época : a “obra do dono do campo” é a Aliança de Deus com Israel, e os
“vinhateiros”, a quem ela foi confiada, são os chefes e os doutores do povo. Não
se diz que eles não tenham trabalhado, mas fizeram o trabalho para seu
proveito: para o poder espiritual sem dúvida, mas também para a riqueza.
Foi a falta de desprendimento que os impediu de servirem a
Aliança em profundidade, de reconhecerem os profetas quando estes surgiram e os
levaram a matar Jesus.