Êxodo12,1-8.11-14 ; Sal 115.12-13.15-18 ; 1Coríntios11,
23-26 ; João13,1-15
A memória inscreve-se num gesto e ganha voz ! : “Fazei isto
em memória de Mim”. Esta frase central pode resumir o dia desta Quinta-Feira
Santa. Dia último, em que os sinais se vão inscrever em profundidade no coração
e na vida dos discípulos e da Igreja, até aos dias de hoje. Dia fundador da
experiência pascal. Dia em que o serviço maior é o do lava pés. Dia em que o
dom total de Cristo Se fará no “Tomai e comei, este é O Meu Corpo”, e “Tomai e
bebei, este é O Meu sangue”, precedendo a Sua morte e ressurreição. Dia
fundador em que chega a hora de realizar a unidade entre a mesa e o serviço do
irmão, entre a refeição da festa judaica da Páscoa e aquela, definitiva, da
Eucaristia.
Os convivas desta refeição tiveram de passar por
experiências inéditas : ver O Mestre levantar-Se da mesa e assumir a condição
de servo ; experimentar uma nova arte de viver a fazerem-se servos uns dos
outros. Eles que seriam os caminhantes na fé, enviados a todas as nações,
tiveram os pés lavados pelo Mestre. Eles continuaram a refeição e entraram no
mistério do pão do caminho e no vinho da vida, dados para o perdão dos pecados,
sinal da morte e da ressurreição dO Vivente. Ganhar forças na fonte da vida e
servir o irmão, tornar-se Corpo e Sangue de Cristo para amar este mundo à
maneira de Cristo. Eis o que este dia fundamental dá aos baptizados. A sua memória
é celebrada com gravidade mas na alegria dO Evangelho.
Este dia faz-nos orar com ousadia por e com o papa Francisco
e os nossos bispos, por e com os actuais e futuros nossos sacerdotes, por e com
todos os baptizados.