Este sacerdote Passionista, de origem holandesa, exerceu
o seu ministério na Inglaterra e na Irlanda. Segundo o Papa Bento XVI, que o
canonizou em 2007, ele “viveu uma vida transbordante de amor totalmente
dedicada ao cuidado das almas”.
Isaías 60,1-6; Sal 71, 2.7-8.10-13 ; Efésios 3, 2-3a. 5-6
; Mateus 2,1-12
SEGUINDO A BELA ESTRELA (Mat.2,1-12). Todos deviam rir-se na
cara dos magos, com a história da estrela. Esta história também nos torna alvo
da chacota de tantos que, apesar de supersticiosos, se julgam superiores e
dizem sem se darem conta da contradição : “Vede em que fábulas se fundamenta a
sua fé ! É espantoso !”. Porém, apesar dos falsos “espíritos fortes” que nunca
hão-de faltar, a estrela levanta-se, a estrela está lá, “preciosa e bela” -
como diz S.Francisco no seu cântico - arrastando atrás de si novos
aventureiros.
Os magos seguem a sua ideia, uma ideia que em vez de os
imobilizar os conduz e expatria para longe -
muito longe ! - do lugar onde vivem. Vão até à Terra Santa - felizes
peregrinos ! - e, à sua chegada, não encontram nem marfim nem mármores, apenas
terra batida. O ouro que dão aO Menino é já portanto consequência da estrela
que, à força de lhes orientar o olhar e purificar os desejos, os desapossou de
tudo. A luz, na terra e no céu, tornou-se o único fio condutor das suas vidas. A
continuada situação de caminhantes ensinou-lhes que aquilo a que os homens
razoáveis chamam experiência - com um misto de satisfação e amargura - pode não
passar afinal de mero impasse e embuste. Os verdadeiros sábios são os sabem
ultrapassar - noutro sentido - a idade da razão, pois, para se poder ir até aO
Menino é necessário tomar com decisão caminhos diferentes. É difícil ter uma
idéia clara sobre estes homens misteriosos que Mateus chama de “magos vindos do
Oriente”. Portanto eles estão no centro da Epifania. No séc.VII, designaram-nos
com os nomes de Melchior, Gaspar e Baltazar e atribuíram-lhes raças diferentes
: Melchior seria branco, Gaspar amarelo e Baltazar negro. Mas para lá da lenda
com que a tradição reveste os magos, é o seu itinerário que nos interpela. Abrindo
o livro da natureza, eles descobrem uma estrela que os atrai e, ao segui-la,
pegam no livro das Escrituras. Natureza e Escrituras conduzem-os até aO
Menino-Jesus, enviado de Deus, O rei do mundo. Deus manifesta-Se aos pagãos, e
eis-nos também convidados, tal como os magos, a uma atitude profunda : prostrar-nos com humildade para adorar a Deus e oferecer-lhE o que temos e o
que somos. A Epifania é um apelo lançado aos homens de todos os continentes, de
todas as culturas, de todos os modos de vida, a caminharem para Cristo.