Liturgia Semanal

Inspirado nas Meditações Bíblicas. Irmãs Dominicanas de Taulignan. Supl. Panorama. E. Bayard. Paris.

6 de janeiro de 2014

DOMINGO DA EPIFANIA DO SENHOR – 5/JANEIRO/2014 STO CARLOS DE STO ANDRÉ HOUBEN (1821-1893).



Este sacerdote Passionista, de origem holandesa, exerceu o seu ministério na Inglaterra e na Irlanda. Segundo o Papa Bento XVI, que o canonizou em 2007, ele “viveu uma vida transbordante de amor totalmente dedicada ao cuidado das almas”.

Isaías 60,1-6; Sal 71, 2.7-8.10-13 ; Efésios 3, 2-3a. 5-6 ; Mateus 2,1-12

SEGUINDO A BELA ESTRELA (Mat.2,1-12). Todos deviam rir-se na cara dos magos, com a história da estrela. Esta história também nos torna alvo da chacota de tantos que, apesar de supersticiosos, se julgam superiores e dizem sem se darem conta da contradição : “Vede em que fábulas se fundamenta a sua fé ! É espantoso !”. Porém, apesar dos falsos “espíritos fortes” que nunca hão-de faltar, a estrela levanta-se, a estrela está lá, “preciosa e bela” - como diz S.Francisco no seu cântico - arrastando atrás de si novos aventureiros.


Os magos seguem a sua ideia, uma ideia que em vez de os imobilizar os conduz e expatria para longe -  muito longe ! - do lugar onde vivem. Vão até à Terra Santa - felizes peregrinos ! - e, à sua chegada, não encontram nem marfim nem mármores, apenas terra batida. O ouro que dão aO Menino é já portanto consequência da estrela que, à força de lhes orientar o olhar e purificar os desejos, os desapossou de tudo. A luz, na terra e no céu, tornou-se o único fio condutor das suas vidas. A continuada situação de caminhantes ensinou-lhes que aquilo a que os homens razoáveis chamam experiência - com um misto de satisfação e amargura - pode não passar afinal de mero impasse e embuste. Os verdadeiros sábios são os sabem ultrapassar - noutro sentido - a idade da razão, pois, para se poder ir até aO Menino é necessário tomar com decisão caminhos diferentes. É difícil ter uma idéia clara sobre estes homens misteriosos que Mateus chama de “magos vindos do Oriente”. Portanto eles estão no centro da Epifania. No séc.VII, designaram-nos com os nomes de Melchior, Gaspar e Baltazar e atribuíram-lhes raças diferentes : Melchior seria branco, Gaspar amarelo e Baltazar negro. Mas para lá da lenda com que a tradição reveste os magos, é o seu itinerário que nos interpela. Abrindo o livro da natureza, eles descobrem uma estrela que os atrai e, ao segui-la, pegam no livro das Escrituras. Natureza e Escrituras conduzem-os até aO Menino-Jesus, enviado de Deus, O rei do mundo. Deus manifesta-Se aos pagãos, e eis-nos também convidados, tal como os magos, a uma atitude profunda : prostrar-nos com humildade para adorar a Deus e oferecer-lhE o que temos e o que somos. A Epifania é um apelo lançado aos homens de todos os continentes, de todas as culturas, de todos os modos de vida, a caminharem para Cristo.

Peregrinos da fé, os magos tornaram-se para nós estrelas que brilham no céu da História e nos indicam o caminho.