BAPTISMO DO SENHOR O começo do ano é um período de votos,
formulados por vezes de forma mecânica. A frase de Jesus, porém não é um
desejo, mas uma ordem a João que recusava baptizá-lO : “Convém que cumpramos
toda a justiça”.
BTO PEDRO FRANCISCO JAMET (1762-1845). Depois da
Revolução Francesa, este antigo padre refratário restaurou e expandiu o
Instituto do Bom-Salvador de Caen, dedicado a cuidar dos deficientes físicos e mentais.
Ele preocupava-se com as e os jovens surdos mudos. Beatificado em 1987 por
João-Paulo ll.
Isaías 42,1-4. 6-7 ; Sal 28,1-4. 9b-10 ; Act.10, 34-38 ;
Mat.3,13-17
“…E ÉS TU QUE VENS A MIM ! ”(Mat.3,13-17). Podemos deter-nos
no diálogo que se inicia entre João e Jesus. Manifestamente, João, o maior dos
profetas, reconheceu em Jesus aquele a quem tinha por missão anunciar e a quem
não era digno de“descalçar as sandálias”. A decisão de Jesus em juntar-Se à
multidão para dele receber o baptismo de arrependimento, só podia confundi-lo.
A sua visão de um Deus justiceiro, a sua percepção da santidade eram abaladas
por este gesto de humildade deliberado de Jesus que O tornava solidário com a
humanidade inteira mergulhando nas águas do Jordão, símbolo quer de morte e
caos quer de vida e regeneração.
Uma vida chamada a integrar-Se num “faça-se”, para se
cumprir a justiça de um ajustamento à vontade de Deus. Neste contexto em que
Cristo é investido na função messiânica pelo testemunho dO Pai e dO Espírito,
deixemo-nos reunir por Ele segundo as Suas próprias modalidades, mesmo que elas
nos desconcertem pelo seu carácter inesperado, simplicidade ou discreção.
Aprendamos a abandonar as nossas representações habituais de Deus para acolhermos
O Deus de compaixão e misericórdia maravilhando-nos com a Sua grandeza e a Sua
proximidade em Jesus : Ele, “que era de condição divina” e que “se esvaziou a
Si mesmo” (Filip.2,6-7). O que nos obriga a ter bem presentes as falsas
representações de Deus que O ocultam e nos impedem de O acolher aqui e agora,
quando Ele Se manifestar no “murmúrio de uma suave brisa” (1Reis19,12), ou Se
der a conhecer no rosto dum dos nossos semelhantes.
Não teremos igualmente que escutar para descobrirmos que Ele
pode ter necessidade de nós, quando consideramos precisar d’Ele ? Necessidade
de nós para a incarnação do Seu amor, o anúncio da Boa-Nova e a chegada da luz
da salvação às trevas humanas.