Liturgia Semanal

Inspirado nas Meditações Bíblicas. Irmãs Dominicanas de Taulignan. Supl. Panorama. E. Bayard. Paris.

18 de janeiro de 2014

II DOMINGO DO TEMPO COMUM – 19/JANEIRO/2014 2º DIA DO “OOUC”



2º DIA DO “OOUC”: JUNTOS, DAMOS GRAÇAS UNS PELOS OUTROS. Senhor cheio de bondade, nós Te agradecemos por todos os benefícios da Tua graça que descobrimos na nossa própria tradição e nas tradições das outras Igrejas. Faz que a nossa gratidão continue a crescer através dos nossos reencontros e da experiência sempre renovada do Teu dom de unidade. Isto Te pedimos por Jesus Cristo, Nosso Senhor.

Isaías 49, 3. 5-6 ; Sal 39, 2.4ab.7-10 ; Coríntios1,1-3 ; João1, 29-34

EU VI O ESPÍRITO SANTO DESCER E PERMANECER SOBRE ÊLE  (Jo.1,29-34). Apenas S. João Baptista, sozinho, se exprime. O discurso começa no momento em que Jesus vem até ele. Jesus é “O Cordeiro de Deus”. Muitos textos litúrgicos ganhariam força se traduzidos numa linguagem actual, mas esta estranha expressão, “Cordeiro de Deus”, não pode sê-lo: ela é demasiado central e temos que deixar a liturgia ensiná-la. Um biblista explicar-nos-á que ela contém duas imagens: a do cordeiro pascal, que simboliza a redenção de Israel (Êxodo12,1-28), e a do Servo, que aparece no Livro de Isaías repetida em quatro ocasiões, tal como hoje por três vezes na sua leitura. Através da humilhação e exaltação desta misteriosa personagem, Deus toca a nossa humanidade a uma profundidade que nenhum profeta imaginou.


É a liturgia que nos faz reviver este re-encontro, ela instala Deus na nossa vida e faz-nos entrar nos muros da Sua cidadela. Invocar O Cordeiro de Deus é lembrar-nos do perdão e pedir a Deus para o fazer nascer em nós, e que o clamor a pedir paz que sobe da humanidade possa encontrar resposta e cessarem as injustiças, divisões e conflitos. João continua o seu discurso da mesma maneira misteriosa : Jesus deve estar “antes dele”, mesmo que venha “depois dele”, pela boa razão de que Ele existe antes dele. Por duas vezes João afirma que não conhecia Jesus, e que se O conhecia era somente graças aO que o enviara a baptizar “para (Jesus) ser manifestado ao povo de Israel”. E por duas vezes ainda, João insiste sobre o “testemunho” que dá: testemunho que O Espírito Santo veio descer sobre Jesus, testemunho que Ele é O Filho de Deus. Jesus de Nazaré não foi o primeiro sobre o qual desceu O Espírito de Deus; dizia-se isto mesmo de todos os reis de Israel desde Saúl, David e seus sucessores. Mas todos tinham demonstrado que podiam atraiçoar radicalmente as inspirações dO Espírito. João Baptista diz-nos ser Jesus sobre quem O Espírito permanece definitivamente - habita - forma de afirmar que todas as Suas acções são também acções dO Espírito. O testemunho de João é impressionante. Por um lado, apresenta Jesus como O Cordeiro de Deus que tira - que assume - o pecado do mundo, e aceita a referência messiânica de Jesus como Servo sofredor, comparável aO Cordeiro que se deixa levar aos tosquiadores para depois ser morto. Por outro lado João reconhece-O como alguém que está antes de Si, que caminha à sua frente e nos convida a caminharmos na Sua companhia. Reconhece-O deste modo porque testemunhou a comunhão de Jesus com O Pai, no sopro dO Espírito, na nova criação saída das águas do Jordão. Também nós experimentamos ao longo da vida a manifestação de Jesus na Sua comunhão com O Pai, nO Espírito. Esta experiência assume as mais variadas formas e, assim - à semelhança de João - também somos chamados a dar testemunho.

Será que estamos cientes das implicações desta vocação, a que não podemos fugir ?