2º DIA DO “OOUC”: JUNTOS, DAMOS GRAÇAS UNS PELOS OUTROS.
Senhor cheio de bondade, nós Te agradecemos por todos os benefícios da Tua
graça que descobrimos na nossa própria tradição e nas tradições das outras
Igrejas. Faz que a nossa gratidão continue a crescer através dos nossos reencontros
e da experiência sempre renovada do Teu dom de unidade. Isto Te pedimos por
Jesus Cristo, Nosso Senhor.
Isaías 49, 3. 5-6 ; Sal 39, 2.4ab.7-10 ; Coríntios1,1-3 ;
João1, 29-34
EU VI O ESPÍRITO SANTO DESCER E PERMANECER SOBRE ÊLE
(Jo.1,29-34). Apenas S. João Baptista, sozinho, se exprime. O discurso começa
no momento em que Jesus vem até ele. Jesus é “O Cordeiro de Deus”. Muitos
textos litúrgicos ganhariam força se traduzidos numa linguagem actual, mas esta
estranha expressão, “Cordeiro de Deus”, não pode sê-lo: ela é demasiado central
e temos que deixar a liturgia ensiná-la. Um biblista explicar-nos-á que ela
contém duas imagens: a do cordeiro pascal, que simboliza a redenção de Israel
(Êxodo12,1-28), e a do Servo, que aparece no Livro de Isaías repetida em quatro
ocasiões, tal como hoje por três vezes na sua leitura. Através da humilhação e
exaltação desta misteriosa personagem, Deus toca a nossa humanidade a uma
profundidade que nenhum profeta imaginou.
É a liturgia que nos faz reviver este re-encontro, ela
instala Deus na nossa vida e faz-nos entrar nos muros da Sua cidadela. Invocar
O Cordeiro de Deus é lembrar-nos do perdão e pedir a Deus para o fazer nascer
em nós, e que o clamor a pedir paz que sobe da humanidade possa encontrar
resposta e cessarem as injustiças, divisões e conflitos. João continua o seu
discurso da mesma maneira misteriosa : Jesus deve estar “antes dele”, mesmo que
venha “depois dele”, pela boa razão de que Ele existe antes dele. Por duas
vezes João afirma que não conhecia Jesus, e que se O conhecia era somente
graças aO que o enviara a baptizar “para (Jesus) ser manifestado ao povo de
Israel”. E por duas vezes ainda, João insiste sobre o “testemunho” que dá: testemunho
que O Espírito Santo veio descer sobre Jesus, testemunho que Ele é O Filho de
Deus. Jesus de Nazaré não foi o primeiro sobre o qual desceu O Espírito de
Deus; dizia-se isto mesmo de todos os reis de Israel desde Saúl, David e seus
sucessores. Mas todos tinham demonstrado que podiam atraiçoar radicalmente as
inspirações dO Espírito. João Baptista diz-nos ser Jesus sobre quem O Espírito
permanece definitivamente - habita - forma de afirmar que todas as Suas acções são
também acções dO Espírito. O testemunho de João é impressionante. Por um lado,
apresenta Jesus como O Cordeiro de Deus que tira - que assume - o pecado do
mundo, e aceita a referência messiânica de Jesus como Servo sofredor, comparável aO Cordeiro que se deixa levar aos tosquiadores para depois ser
morto. Por outro lado João reconhece-O como alguém que está antes de Si, que
caminha à sua frente e nos convida a caminharmos na Sua companhia. Reconhece-O
deste modo porque testemunhou a comunhão de Jesus com O Pai, no sopro dO Espírito,
na nova criação saída das águas do Jordão. Também nós experimentamos ao longo
da vida a manifestação de Jesus na Sua comunhão com O Pai, nO Espírito. Esta
experiência assume as mais variadas formas e, assim - à semelhança de João -
também somos chamados a dar testemunho.
Será que estamos cientes das implicações desta vocação, a
que não podemos fugir ?