BTO JOSÉ ZAPLATA (1904-45). Religioso polaco da
“Congregação do Sagrado Coração de Jesus”, vítima de uma epidemia de tifo no
campo de concentração de Dachau, depois de ter assistido outros prisioneiros
contaminados. Foi beatificado pelo papa João Paulo II, em Varsóvia, no ano
1999, juntamente com mais 107 mártires polacos.
SÃO ÁLVARO DE CÓRDOVA (860-61). A festa de S.Álvaro é uma
chamada à tolerância. Este moçárabe de fé veemente e radical, casado, poeta,
teólogo apologista e defensor da fé frente ao Islão, não foi martirizado nem
expulso ou exilado, foi apenas (!) marginalizado. Na sociedade actual fazemos o
mesmo a uma multidão de pessoas. Não as matamos fisicamente, mas socialmente ;
porque são diferentes, porque não as compreendemos, porque nos metem medo...
esquecendo-nos que elas são, acima de tudo, filhos e filhas de Deus.
Tiago 1,19-27 ; Sal 14, 2-4ab. 5 ; Marcos 8, 22-26
“VÊS ALGUMA COISA ?” (Marcos 8,22-26). Sendo verdadeiramente
Filho de Deus, Jesus é também alguém cheio de humanidade, de simplicidade, nas
suas relações com os homens. No relato do evangelho de hoje, pedem-lhE que
toque um cego para que ele recupere a visão. Jesus toma-o pela mão, e leva-o
para longe da multidão, para fora da povoação, interroga-o e, em seguida,
cura-o, primeiro com saliva (e o cego viu indistintamente), depois com a
imposição das mãos e então viu com nitidez.
Mas, este milagre, realizado em dois tempos sucessivos, no
seu primeiro tempo não foi um milagre “mal conseguido”. Sucedeu assim para
Jesus ter ocasião de dar um sinal e o cego poder responder à pergunta do seu
Salvador: “Vês alguma coisa ?” E eu ? Que é que vejo quando me olho e olho o mundo
à minha volta ? “Contemplar, diz Isaac, o Sírio, é olhar o mundo com os olhos
de Deus”. Jesus liberta-nos das nossas cegueiras e “abre-nos”, pouco a pouco, à
Sua contemplação. Tal como o cego, que Jesus levava pela mão, também não sei
para onde vou, nem o que se irá passar. Tal como ele, tenho de confiar que,
progressivamente, o meu caminho será iluminado. É porém necessário que mantenha
vivo este desejo de me submeter à imposição das Suas mãos: pela oração, pelos
sacramentos e no contacto com os meus irmãos.
Assim, pouco a pouco, chegarei a tudo ver distintamente.