Pedro Damião, nascido em Ravena, Itália, abraçou a vida
monástica beneditina e aproveitou a solidão para estudar, tendo alcançado tal
sabedoria que foi nomeado superior da Ordem. Inculcava nos companheiros os
valores da caridade, da humildade e da solidão. Denunciou violentamente os
pecados dos seus contemporâneos, começando pelos da própria Igreja. Em 1506 o
papa nomeou-o, contra sua vontade, cardeal de Óstia. Teve então que se envolver
nos problemas da política eclesiástica, viajar muito, pregar, ser conselheiro
de reis e escrever sobre vários temas, mas sonhava regressar à sua cela. Ele
próprio escreveu, numa ocasião : “Que me importam os reis e os concílios?”. Adoeceu
e morreu em viagem, ao serviço da Igreja, no mosteiro de STA Maria dos Anjos.
Tiago 2,14-24. 26 ; Sal 111, 1-6 ; Marcos 8, 34-9,1
Em poucas palavras, Jesus vai ao essencial : uma vida que
não se dá é uma vida perdida. Talvez fiquemos chocados por estas palavras e as
consideremos até fanáticas. Mas Jesus quer levar-nos a tomar uma decisão
fundamental: “Quem quiser salvar a sua vida há-de perdê-la, mas aquele que
perder a sua vida por Mim há-de salvá-la”. Há pois que escolher, de forma
radical, entre o contentar-se com as alegrias terrestres, reais mas passageiras,
e a abertura a Deus e a sua felicidade absoluta, eterna. Escolher entre
determinar sozinho o sentido e decurso da minha vida ou, pelo contrário, pôr
nas Suas mãos a minha existência por inteiro. Escolher entre mim e Ele.
Se procurar onde, como e com quê dar-lhe esta vida que Ele
me pede, estarei já a dar uma resposta à sua Palavra. E há tantas formas de, no
quotidiano, se dar a vida ! Por vezes será com decisões difíceis, que na linguagem
corrente chamamos de “cruciais”, cuja raiz significa “empenhamento doloroso”,
“de cruz”. E tudo isto com um sorriso, com discrição de gestos e de palavras
que podem até passar despercebidos, mas tomam, aos olhos de Deus, um valor de
eternidade.
Senhor, porque é tão fácil e tão difícil ser-se santo ?