Há 100 anos morria esta religiosa maronita que, na sua
união a Cristo, bebia as forças para aceitar os sofrimentos físicos que a
marcaram duramente. A 7/Out./1885, festa de Nª Sª do Rosário, ela ofereceu-se
para partilhar os sofrimentos de Cristo e, desde aí, a sua saúde deteriorou-se
ficando nos últimos 30 anos progressivamente cega e paralisada. Vivia em
contínua oração, ajudando o convento nos trabalhos que podia fazer. Venerada no
seu sepulcro no Líbano pelos milagres que aí realiza. João Paulo ll canonizou-a
em 2001.
Êxodo 17, 3-7 ; Sal 94,1-2. 6-9 ; Romanos 5,1-2. 5-8 ;
João 4, 5-42
“DÁ-ME DESSA ÁGUA…” (Jo.4,5-42). Se hoje a humanidade se
confronta com um desafio global, esse desafio é a carência de água potável, que
a ONU reconhece como um direito humano fundamental. Poder-se-ia, neste domingo,
aderir plenamente às recriminações do povo que tem sede, e escutar o eco dos
queixumes de todos os povos sofredores, porque é grande a “sede do mundo”. A
humanidade está dependente da solidariedade internacional. Neste tempo de
Quaresma, as nossas ofertas contribuem para fazer crescer a solidariedade.
Muito concretamente, poços serão construidos e programas de irrigação apoiados.
É quando se morre de sede que se descobre o valor inestimável de um fio de
água, tal como os Hebreus no deserto , ou a Samaritana na hora de preparar a
refeição e lavar a cozinha. É nesses momentos, nada atreitos a considerações
místicas, que O Senhor vem ao nosso encontro e diz : “Eu sou a água viva !”.
Mas, para além das “obras da Quaresma” em que tenhamos
participado, qual é a nossa conversão? Será que nos apercebemos do alcance da
conversão que Jesus opera e à qual Ele nos convida ? Eu preciso beber e digo :
“Sem água pura não consigo viver”. Pois bem !, essa água, que é a vida da casa,
é também sinal da Água verdadeira da qual eu tenho sede, da qual todos temos
sede, e - maravilha ! - sinal da Água viva que tem sede de mim, que tem sede de
nós. Sob o sol ardente do deserto a sede levou o povo judeu a desafiar Deus, a
pô-lO á prova. Jesus pede humildemente de beber a uma mulher que vem carregar a
água do poço. O povo estava desconfiado, mas Jesus ensina a confiança. “Dá-me
de beber” já não é um desafio, é um convite para entrar numa relação que revoluciona
a ordem das coisas. Aquele que pede de beber será fonte, aquela de quem todos
os judeus desconfiavam (STA Fotina?) será vector de confiança para os outros. Entrar
na confiança, à semelhança de Jesus nos caminhos da Samaria, é acreditar que a
fé e a caridade se interpelam. Para me saciar, Cristo tem necessidade da minha
sede, sede do meu desejo, que é em mim sinal da Sua presença. Porque eu possuo,
ou melhor, sou já possuído pela “nascente maravilhosa a jorrar vida eterna”, e,
para o descobrir, não é necessário interromper tudo (a cozinha e o resto) e ir
a correr para a igreja... É no deserto de areia e saibro da existência, no
caminho por vezes hesitante, que me exige coisas aparentemente impossíveis,
quando talvez nem tenha tempo nem gosto para rezar, é nessa secura da alma que
a Fonte vai jorrar.
“Então, Senhor dá-me dessa água ! “Aumenta em mim a fé e, do
rochedo que és, brotará um caudal de água viva !”.