Somos convidados a deixar que a Palavra evangelize o
nosso coração de pecadores. É um convite que pode e deve fazer-se em clima de
alegria; é inútil fixarmo-nos no“cliché” de penitentes. Acreditaremos nisto
mais intensamente ao rezarmos o versículo 5 do Salmo 31: “Dei-Te a conhecer a
minha falta, não Te encobri os meus delitos. Eu disse: Dei graças ao Senhor ao
confessar os meus pecados, e Tu absolveste a ofensa da minha falta”. É assim
que a luz volta à vida do pecador que reconhece as suas faltas diante de outro
pecador - o padre que o ouve na confissão. Que O Senhor nos encha de luz no
caminho da Quaresma ! Vamos abrir a Cristo, de par em par, a portas da nossa
vida, nestes dias de mortificação, com mais oração, jejum e abstinência por
todas as misérias dos homens (físicas, morais e espirituais) causadoras das
guerras.
S. JOÃO-JOSÉ DA CRUZ (1654-1734). Entrou com 15 anos na
Ordem dos “Franciscanos descalços” da Reforma iniciada por S.Pedro de Alcântara
em Espanha, conhecidos também por “alcantarinos” e pela austeridade das Regras.
Com as próprias mãos ajudou a construir o novo mosteiro de Piedimonti d’Alife
onde, com 24 anos, foi nomeado mestre de noviços e, mais tarde Vigário
Provincial dos “alcantarinos” de Itália. S.João-José da Cruz era muito austero,
comia uma só vez por dia, dormia pouco e levantava-se à meia noite para
agradecer a Deus o novo dia. Dedicado aos pobres e doentes foi venerado pela
população ainda em vida. Os seus restos mortais repousam no mosteiro
franciscano da ilha de Ischia onde nasceu.
Joel 2, 12-18 ; Sal 50, 3-6a.12-14.17 ; 2 Coríntios 5,
20-6, 2 ; Mateus 6,1-6.16-18
“RECONCILIAI-VOS COM DEUS” (2 Cor.20). O apelo premente de
Paulo é um eco da voz que hoje nos ressoa aos ouvidos: Convertei-vos ! Pouco
importam os nossos estados de alma ao abordarmos esta Quarta-feira de Cinzas.
Vivamos estes quarenta dias como um presente da Igreja, iluminada pela alegria
pascal. Na vivência cristã, a superabundância do amor oferece-se em cada
instante, gratuitamente. O Nosso Pai não espera proezas ascéticas. Presente no
segredo da intimidade mais pessoal, Ele deseja simplesmente familiarizar-Se
connosco. Agora é o momento favorável, é agora o dia da salvação”.
“SE QUEREIS VIVER COMO JUSTOS...” (Mateus 6,1-6.16-18). No
1º dia da Quaresma, Jesus propõe três atitudes para a “conversão”, para o
“regresso”: Três meios que conduzem a Deus, aos outros e a nós mesmos. Primeiro
a oração, que leva a Deus: caminho de conversão que nos distancia do ruído, da
dispersão, do “lufa-lufa” quotidiano e dá a alegria do reencontro, da ternura
da intimidade, do coração-a-coração filial com O Pai. Depois a caridade, que
leva aos homens : caminho que nos afasta do egoísmo e de toda a espécie de
avareza radicada no medo e abre à alegria da troca, da partilha e da comunhão,
autenticamente sentida quando se dá gratuitamente um pouco do nosso dinheiro,
escuta e amizade. Por fim, o “regresso” a nós mesmos, pela mortificação e jejum
dos sentidos: caminho que nos afasta da gulosa sofreguidão física, intelectual,
afectiva ou espiritual, que trava e “atravanca” e nos permite chegar à alegria
da superação das frustrações, das contrariedades, até à liberdade.
A caminho da alegria da Páscoa, qual destes meios
experimentarei eu hoje um pouco ?