Deuteronómio 30,15-20 ; Sal 1,1-4. 6 ; Lucas 9, 22-25
JESUS OFERECE-NOS A VIDA ETERNA (Deut.30,15-20). “Proponho-te
hoje escolheres a vida e o bem ou a morte e o mal”. A experiência prova que é
difícil optar-se resolutamente pela vida. Silêncios cúmplices, mentiras,
compromissos de todo o género, transformam-nos lentamente em “mortos-vivos”. Eis
do que Jesus nos vem salvar, oferecendo à humanidade a esperança de uma vida
mais bela, mais verdadeira, mais fraterna : a vida eterna. No calvário, Ele
pronunciou um “sim” definitivo à vida recebida dO Pai, um “sim” mais forte que
a violência da morte. Com Ele levemos as cruzes que mortificam as nossas
existências, à luz da Ressurreição.
“TOMA A TUA CRUZ…” (Lucas 9,22-25). Expressão gráfica que se
tornou clássica e demasiado habitual mas tem um tom doloroso que nos assusta e
pode parecer excessivo, quiçá mórbido. Todavia, que contrassenso será fazer de
Jesus um distribuidor de cruzes: Jesus não nos pede que soframos como Ele, ao
contrário, veio para sofrer por nós. Porque, cruzes, de todos os tamanhos e
feitios, já nós temos em abundância. Sofrimentos pequenos ou grandes surgem
sempre na vida que, inelutavelmente, desagua na agonia e na morte. Jesus não
veio suscitá-los, veio ajudar-nos a levá-los, Ele que, segundo a frase
intraduzível do apóstolo S. Paulo, “Se esvaziou de Si mesmo”, desposando a
nossa carne até à morte na cruz. E não apenas para nos acompanhar até aí: isso
seria admirável mas pouco fecundo. Ele veio, para nos libertar e dizer que
através da morte se abre uma porta: para lá do aniquilamento encontra-se a
verdadeira vida. É pois necessário que sigamos O Senhor. A quaresma que agora
começa convida-nos particularmente a fazê-lo. Se seguirmos Jesus no caminho da
cruz, com Ele, por Ele e n’Ele, nasceremos para a vida.
Senhor, retira do meu coração o medo de Te acompanhar na Tua
ressurreição !