Isaías 58,1-9a ; Sal 50, 3-6a.18-19 ; Mateus 9,14-15
O SENTIDO DO JEJUM. Experimento sempre algum medo quando
oiço os clamores de Isaías, a “voz que ressoa com o coração” por carregar a
cólera dO Senhor. São gritos que derrubam os “falsos biombos” e, ao ouvi-los,
encontro-me só num ambiente devastado, só comigo próprio e com as minhas vítimas,
só com Deus a escrever o Seu libelo de acusação. Todavia, no tempo novo que
Cristo trouxe, sei que a mensagem de Isaías não é de vingança destruidora, mas
de amor que tudo renova ; é uma mensagem construtora da verdade e a verdade
liberta.
A realidade existencial é que sou pecador e cometo pecados.
Isaías, com a força das suas palavras, obriga-me a um exame de consciência como
nunca imaginaria e, graças à luz de Cristo, isso tem consequências na minha
vida. A privação de alimento só tem sentido se permitir criar espaço ao Outro.
Jejuar porque O Esposo está ausente significa que nenhum bem deste mundo pode
preencher a Sua ausência. Jejuar para me abrir à partilha, à presença dos que
estão famintos de consideração e reconhecê-los nas suas necessidades como meus
semelhantes.
Chegou o tempo de fazer cair as cadeias injustas que me
impedem de aceder à profundeza dos meus desejos, de quebrar os jugos de
escravidão das coisas sem importância que me prendem.