1 Pedro 1, 3-9 ; Sal 110,1-2. 5-6. 9.10c ; Marcos 10,17-27
UMA ALEGRIA INEXPRIMÍVEL (1Pedro 1,3-9). A carta de Pedro
apresenta-se como uma catequese baptismal (é necessário que renasçais) para os
cristãos da Ásia Menor ameaçados pela perseguição. Ela começa com uma admirável
oração de benção toda voltada para a esperança de uma salvação que se aproxima.
Mas até no meio das provações qualificadas de “fogo”, os cristãos alegram-se com
“uma alegria indescritível”. Isto não é nem ingenuidade, nem exaltação malsã,
mas a certeza profunda dum amor cuja fidelidade não falha : “Ele que vós amais
sem ter visto, em que vós acreditais sem O ver”. Cristo que está agora com
eles, é a garantia de um futuro que já ilumina o seu presente doloroso e
transfigura pouco a pouco o caminho difícil que percorrem.
UMA CONFIANÇA LOUCA (Marc.10,17-27). O homem que se precipita
aos pés de Jesus é um praticante consciencioso. A sua pergunta traduz um desejo
sincero de cumprir o que possa conduzi-lo à vida eterna. Então enquanto ele
esperava por uma garantia, as reacções de Jesus derrubam-lhe as certezas
semeando a “barafunda” na sua existência bem regrada. Como o nosso papa
Francisco se assemelha tanto ao jovem rabi de Nazaré quando convida a Igreja a
sair dos caminhos já batidos para desposar a “irmã pobreza”! Deixar tudo e
contar unicamente no Único que é bom, sem outro horizonte para além de uma
confiança louca na sua misericórdia…