Pai de família piedoso, nos últimos vinte anos da sua
vida retirou-se, com o consentimento da mulher, para um ermitério próximo de
casa. A sua oração contínua e a sua mortificação (vivia em jejum permanente)
tornaram-no conhecido e todos acorriam a pedir-lhe conselho. Mediador no
conflito entre os Cantões da Suíça, evitou uma guerra eminente entre eles. Por
isso é considerado o “pai da Suíça” e seu Padroeiro. O papa João Paulo II na
homilia pela paz, em Flueli (1984), apresentou-o como alguém que recorda a
nossa responsabilidade pela paz do mundo. “Senhor, arranca de mim tudo aquilo
que afasta de Ti. Senhor, dá-me também tudo o que me conduz a Ti. Senhor,
segura-me a mim próprio e dá-me tudo o que é próprio de Ti.”
Isaías 49,14-15 ; Sal 61, 2-3. 6-9ab ; 1 Cor.4,1-5 ;
Mateus 6, 24-34
ANTECIPAR A SOLICITUDE DE DEUS (Mat.6,24-34). O Pai celeste
alimenta as aves do céu e veste os lírios do campo… garante-nos o evangelho
deste domingo. Porém, esta solicitude de Deus connosco nem sempre é também
evidente, quando por exemplo se acaba de perder o emprego, se está doente ou
magoado pela morte de um familiar. Promessa vã? O evangelho testemunha que, por
vezes, é necessário antecipar a solicitude de Deus. Se Maria não visse que
faltava o vinho nas bodas de Caná, será que Jesus teria transformado a água das
talhas ? Se os discípulos não se preocupassem em alimentar a multidão que
seguia Jesus, teria Ele multiplicado os pães ? E se Marta não tivesse
organizado e preparado o serviço para acolher Jesus e os Seus discípulos…?
Compete-nos ter o cuidado das coisas temporais, sobretudo
quando se tratar da solidariedade para com os outros. Não podemos excusar-nos
do serviço aos outros, sob o pretexto que Deus providenciará. O cuidado do
outro é indispensável para fazer chegar o reino de Deus. “Procurai primeiro O
Seu Reino e a Sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo” (Mateus
6,33). Ora nós sabemos pela experiência que esta palavra nem sempre se cumpre. Então,
ou rompemos o contacto com Deus ou aceitamos que nem sempre compreendemos e
mantemos a relação com Ele quaisquer que sejam as condições. Job, Marta Robin,
Etty Hillesum, Alexandrina de Balazar e tantos outros menos conhecidos,
testemunham que é possível atravessar o sofrimento sem interromper o diálogo
com Deus.