São Policarpo morreu com 96 anos, em Roma, mártir na
fogueira. Na época era conhecido como “pai dos cristãos”, inclusive por aqueles
que o não eram ; gozava de particular veneração por ter sido discípulo de
S.João Evangelista. Conta-nos STO Eusébio que, três dias antes de o prenderem,
teve a visão de uma almofada do seu leito a ser consumida pelas chamas. Por
isso, séculos mais tarde, passou a ser invocado nas dores de ouvidos. Depois da
morte, seu corpo apresentava a cor de pão cozido e exalava um aroma de incenso
e mirra.
Levítico19,1-2.17-18 ; Sal 102,1-4.10.12-13 ; 1Cor.3,16-23
; Mat.5, 38-48
“TORNAR-SE LOUCO PARA SER SÁBIO…” (1 Coríntios 3,18). Esta
ordem expressa e formal de S.Paulo resume bem o ensino que Jesus nos dá hoje no
evangelho, onde se substitui a lógica da razão pela loucura do amor, que nada
tem de arbitrário e se justifica pela proximidade do reino de Deus e a
subversão que esta vinda implica. O sermão da montanha está marcado pela
urgência. A conversão não pode ser indefinidamente adiada porque chegaram os
últimos tempos e Deus está prestes a instaurar o Seu reino, convicção que Jesus
partilha com alguns dos contemporâneos.
Neste contexto, Cristo, na linha dos profetas, afirma a
preeminência da atenção ao outro sobre a prática cultual, como testemunham as
Suas curas em dia de sábado ou o facto de Ele tocar um leproso em vez de Se
proteger. Mas Jesus vai ainda mais longe do que os seus predecessores ao
alargar a noção de “próximo” ao agressor, ao perseguidor, ao inimigo. Uma forma
de dizer que o amor ou é incondicional ou não é amor. Ser perfeito ou “dar
cumprimento” supõe, pois, abraçar o mistério pascal, morrer com Cristo para
ressuscitar com Ele. É verdade que não somos confrontados todos os dias com
os inimigos, mas podemos consentir abrir-nos pouco a pouco à lógica do amor sem
medida.
Mais do que obstinar-nos como o profeta Jonas, certo de ter
razão em irritar-se (Jonas 4), podemos tentar escutar o que Deus quer dizer-nos
nesta ou naquela situação, já que a resposta à agressão nos vem espontaneamente.