Liturgia Semanal

Inspirado nas Meditações Bíblicas. Irmãs Dominicanas de Taulignan. Supl. Panorama. E. Bayard. Paris.

1 de março de 2014

VII DOMINGO DO TEMPO COMUM – 23/FEVEREIRO/2014 S. POLICARPO, BISPO DE ESMIRNA (70-166)



São Policarpo morreu com 96 anos, em Roma, mártir na fogueira. Na época era conhecido como “pai dos cristãos”, inclusive por aqueles que o não eram ; gozava de particular veneração por ter sido discípulo de S.João Evangelista. Conta-nos STO Eusébio que, três dias antes de o prenderem, teve a visão de uma almofada do seu leito a ser consumida pelas chamas. Por isso, séculos mais tarde, passou a ser invocado nas dores de ouvidos. Depois da morte, seu corpo apresentava a cor de pão cozido e exalava um aroma de incenso e mirra.

Levítico19,1-2.17-18 ; Sal 102,1-4.10.12-13 ; 1Cor.3,16-23 ; Mat.5, 38-48

“TORNAR-SE LOUCO PARA SER SÁBIO…” (1 Coríntios 3,18). Esta ordem expressa e formal de S.Paulo resume bem o ensino que Jesus nos dá hoje no evangelho, onde se substitui a lógica da razão pela loucura do amor, que nada tem de arbitrário e se justifica pela proximidade do reino de Deus e a subversão que esta vinda implica. O sermão da montanha está marcado pela urgência. A conversão não pode ser indefinidamente adiada porque chegaram os últimos tempos e Deus está prestes a instaurar o Seu reino, convicção que Jesus partilha com alguns dos contemporâneos.

 Neste contexto, Cristo, na linha dos profetas, afirma a preeminência da atenção ao outro sobre a prática cultual, como testemunham as Suas curas em dia de sábado ou o facto de Ele tocar um leproso em vez de Se proteger. Mas Jesus vai ainda mais longe do que os seus predecessores ao alargar a noção de “próximo” ao agressor, ao perseguidor, ao inimigo. Uma forma de dizer que o amor ou é incondicional ou não é amor. Ser perfeito ou “dar cumprimento” supõe, pois, abraçar o mistério pascal, morrer com Cristo para ressuscitar com Ele. É verdade que não somos confrontados todos os dias com os inimigos, mas podemos consentir abrir-nos pouco a pouco à lógica do amor sem medida.

Mais do que obstinar-nos como o profeta Jonas, certo de ter razão em irritar-se (Jonas 4), podemos tentar escutar o que Deus quer dizer-nos nesta ou naquela situação, já que a resposta à agressão nos vem espontaneamente.