Êxodo 32, 7-14 ; Sal 105,19-23 ; João 5, 31-47
A POTÊNCIA DAS ESCRITURAS (João 5,31-47). Todos nós
experimentamos a força das Escrituras e a sua veracidade escutando o que delas
diz Cristo : elas anunciam, elas atestam, elas desvendam através de Si o que já
traziam de maneira ainda escondida. Elas são, de facto, a adequação exacta
entre o que Ele anuncia e o que nos revela. Ele é o fruto maduro daquilo que as
Escrituras tinham em germe. A Quaresma é o tempo favorável para reassumirmos a
potência radical das Escrituras. Cristo está ao nosso lado quando as lemos, as
escutamos e, especialmente, quando as pomos em prática com o socorro da Sua
graça.
Depois das leituras cheias de alegria e de esperança do início da
semana, é difícil não se ficar impressionado com a litania de recriminações
dirigidas por Jesus aos seus interlocutores: “Vós não escutais a Sua voz”; “Vós
nunca vistes O Seu rosto”; “A Sua palavra não habita em vós”; “Vós não
acreditais em quem Ele enviou”; “O amor de Deus não está em vós”; “Vós não vos
preocupais nem procurais a glória que vem dO único Deus”. Tudo o que Ele faz,
nós afinal não fazemos ! Tal como ouvimos e compreendemos as palavras de
consolação de Cristo é preciso ouvirmos e compreendermos as Suas recriminações.
Recordemos as palavras do evangelho de S.João (6, 29) : “A obra de Deus é que
vós acrediteis n’Aquele que Ele enviou”. Porque somos filhos nO Filho, se
entrarmos numa relação pessoal com Ele, tornar-nos-emos irmãos uns dos outros.
No tempo desta Quaresma, aprendamos com Jesus a viver como
filhos bem-amados, e como Ele, na Páscoa, ressuscitaremos.