Ezequiel 37, 21-28
; Jeremias 31, 10-11.12ab-13 ; João 11, 45-57
COLOCAREI O MEU SANTUÁRIO NO MEIO DELES. A 1ª leitura e o
Evangelho são dois quadros radicalmente diferentes que se complementam e não
podem ser entendidos um sem o outro. Tal é o paradoxo da lógica de Deus que
apenas O Espírito Santo a pode revelar. Deus fala a nossa linguagem e
revela-nos as aspirações mais profundas; imaginemos o que as promessas
evocariam aos deportados da Babilónia : o regresso, a unidade, a paz, a
intimidade com Deus e O Seu Reino alargado a todas as nações… Em suma, a terra transformada
num paraíso.
O texto do evangelho fala dos preparativos da Paixão e evidencia
uma razão que teve grande papel nos acontecimentos : a “necessidade” sentida
pelos responsáveis de Israel de assegurar a coesão política do povo em torno da
Lei, a fim de resistirem aos romanos. Jesus foi condenado à morte, porque a sua
pregação se arriscava a destruir uma situação já em si frágil. Os profetas
incomodaram sempre os políticos e Jesus não será, nem ontem nem hoje, o último
da lista. Mas, lido na perspectiva da 1ª leitura, o desígnio dos
sumo-sacerdotes revela-se fútil : para Deus não se tratava só do povo de Israel
e do Templo de Jerusalém, mas de todas as nações e do novo Santuário que é O
Corpo de Jesus Cristo.
Temos que entrar, nestes dois níveis, na meditação da Paixão
de Cristo : seguir com Jesus o drama da última semana e do caminho da Cruz e,
acreditar que é graças a esta semana e caminho que a Aliança, entre Deus e
todos os homens, misteriosamente Se renova e aprofunda.