Jeremias 20,10-13 ; Sal 17, 2-7 ; João 10, 31-42
“AS OBRAS DE MEU PAI” (Jo.10,31-42). Jesus faz um raciocínio
extenso e há que esforçar-nos para o compreender: a Escritura chama “deuses” a
quem a Lei se dirige; logo, chama assim ao Povo de Israel que recebe e “cumpre”
a Lei. As obras da Lei têm portanto um real valor de divinização. À “fortiori”,
Aquele que, vindo de Deus, cumpre as “obras de Deus” pode duma forma
absolutamente nova chamar-se Filho de Deus, sem que mereça censura por Se fazer
Deus. O que se pedia aos Judeus era que reconhecessem o carácter divino daquilo
que Jesus fazia - em termos de ensinamentos, de misericórdia e de milagres - a
fim de discernirem, a partir dessas obras extraordinárias que transcendiam a
lei (sem todavia abolir o significado da Aliança), a real divindade do Enviado.
Ora este discernimento que Jesus propõe, também nós teremos que fazer
relativamente às pessoas e ás actividades que, hoje, se reclamam ser do
Evangelho. A atitude fundamental deve ser de conversão : não resistir à Verdade
onde ela se apresentar, mesmo que ponha em questão este ou aquele aspecto da
nossa vida, que sendo bom pode sempre ser melhor.
Senhor não me deixes impedir o sopro dO Espírito !