CRISTO DESCEU AOS INFERNOS. Este é um mistério de extrema
importância da nossa fé que devemos hoje meditar. Iluminam-no as palavras do
próprio Jesus : Ele fala da Sua descida “ao seio da terra”. Está aqui muito
mais do que uma imagem. Trata-se da descida de Cristo - O Verbo criador e
salvador - ao centro mesmo do Universo, a esse ponto imóvel, para lá do espaço
e do tempo, onde tudo o que existe eternamente no pensamento de Deus se torna
realidade. Ao entrar na morte, Cristo penetrou até à raíz mais profunda da
criação para aí depositar a semente da Vida, pronta a desabrochar pela Sua
ressurreição. De tal sorte que já não há um átomo do universo e da vida dos
homens, que, para além da morte, não seja chamado a ser transfigurado na Glória
dO Deus vivo. Ele está aí, Cristo morto e ressuscitado, em nós, em torno de
nós, dando sentido às nossas existências que são um diálogo incessante entre a
vida e a morte. Não se trata da visão dum espírito, mas da misteriosa realidade
em que entraremos inevitavelmente no dia da nossa morte, e onde temos de
penetrar livre e progressivamente, descendo- pela fé e pela oração - “no túmulo
do nosso coração”, para aí decobrirmos Aquele que vive eternamente na Glória dO Pai
e nos atrai misteriosamente a Si. “Vem, Senhor Jesus !”.
VIGÍLIA PASCAL. Uma incrível notícia irrompe na grande
madrugada, trazida por Maria Madalena: Cristo ressuscitou, está vivo, ela
viu-O! Na noite de Vigília pascal, nós acolhemos esta centelha: “Ide por todo o
mundo. Proclamai a Boa Nova !” Esta noite não estamos sós, reunimo-nos com os
que receberam essa faúlha para fazer um braseiro comum. A vocação do fogo pascal é abrasar “toda a
criação”. O tempo da ressurreição está a caminho. A partir de agora, é-nos impossível
dizer que não vimos e ouvimos. Como Maria Madalena com sua humildade, e como
Pedro e João com a sua certeza, partilhemos a notícia da ressurreição de Jesus.
Aleluia, Aleluia !