Primeiro sucessor de S. João Bosco à frente da “Sociedade
de S.Francisco de Sales”. “Don Rua transformou a fonte em rio”, declarou Paulo
VI ao beatificá-lo, em 1972.
Ezequiel 37, 12-14 ; Sal 129,1-8 ; Romanos 8, 8-11 ;
Jo.4, 5-42
“DESLIGAI-O E DEIXAI-O IR” (João 11,1-45). De que doença e
de que morte se trata aqui ? Com certeza daquela morte que põe fim às nossas
existências terrestres mas também da morte do pecado, mais insidiosa, que nos
corta Cristo Deus, “a ressurreição e a vida”. Que boa nova nos dá este texto,
senão que Cristo é O vencedor da morte sob os dois aspectos evocados atrás ? Para
Cristo, trata-se apenas de um sono, de uma passagem donde cada um pode
regressar para com Ele partilhar a refeição : eucarística, messiânica. Por isso
Jesus chama Lázaro com voz forte, uma voz de vencedor, que nos traz à mente o
versículo de S.Paulo : “Ó morte, onde está a tua vitória ?” (1 Colossenses 15,
55), seja ela morte biológica ou morte espiritual. Sinal de esperança,
portanto, este 7º e último sinal do evangelho de S.João.
A ressurreição de Lázaro prenuncia a Ressurreição de Cristo,
da qual é mero sinal, pois Jesus apenas deu de novo (ao amigo morto) a sua
anterior vida provisória. Apenas a Sua morte e ressurreição hão-de transfigurar
definitivamente a nossa morte e a nossa vida. Há uma circunstância neste relato
que nos causa espanto: porque se terá perturbado tanto Jesus, ao ponto de
chorar perante o cadáver do seu amigo, se sabia que ia restituir-lhe a vida ?
Mas porque nos admiramos ? Também nós acreditamos na ressurreição e, apesar
disso, não conseguimos reter as lágrimas diante dos despojos mortais de um ente
querido. Esta é pois uma forte nota da humanidade do nosso Deus encarnado. Mas
não será que, por detrás das lágrimas de Cristo, não está ainda e também a
visão dum mundo afastado dO Deus imortal, mundo em situação de pecado, que a
morte e a dissolução do corpo simbolizam ? Assim como o mundo anterior a Noé
ficou submerso nas águas do dilúvio, também Jesus, na Páscoa, vai tomar nossas
vidas mortais para as submergir no Seu sangue. Os “Padres da Igreja” sempre
estabeleceram esta relação entre o dilúvio e a ressurreição de Cristo, e
convirá que retomemos hoje o tema para alimentar a nossa vida espiritual. Por
isso, quando Jesus chora sobre um morto, é ainda o céu que chora sobre a terra
pecadora e, por isso, sabemos que este mundo antigo mergulhado na morte vai
poder ressurgir de novo. Noé soube admirar e discernir no arco-íris a
misericórdia divina. A ressurreição de Lázaro, que Jesus tira do seu sono mau,
é sinal de outro arco-íris que nos deve maravilhar ainda mais, cientes que,
pela vitória de Jesus se selou entre o céu e a terra uma aliança total e
definitiva.
Corpo de Cristo salvai-me !, Paixão de Cristo confortai-me
!, Senhor mandai-me ir para Vós !