Liturgia Semanal

Inspirado nas Meditações Bíblicas. Irmãs Dominicanas de Taulignan. Supl. Panorama. E. Bayard. Paris.

29 de dezembro de 2013

DOMINGO DA SAGRADA FAMÍLIA DE JESUS, MARIA E JOSÉ - 29/DEZEMBRO/2013 S. TOMÁS BECKET (1117-70).



Durante muito tempo fiel ao rei Henrique II com quem partilhava os deboches, converteu-se radicalmente e tornou-se arcebispo de Canterbury. Em conflito aberto com o rei esteve exilado 6 anos. Foi assassinado na catedral pouco após o regresso.



Ben-Sirá 3, 3-7.14-17a ; Sal 127 ; Colossenses 3,12-21; Mateus 2,13-15.19-23



“DO EGIPTO CHAMEI O MEU FILHO” Apenas acabámos de pôr as figuras no presépio e eis que se metem já a caminho, partindo em viagem ! Tantas idas a vindas são possíveis ver na vida deste jovem casal e como O Menino - não programado e confiado como estranho tesouro - os impede de assentar! Como Deus, mal entra em Sua casa, altera o Seu mundo ! Por onde andará esse Deus instalado, esse Deus confortável da nossa imaginação e dos nossos frágeis equilíbrios ? Onde está a doce iluminura que construímos da Sagrada Família ?




Levanta-te ! Toma O Menino e a Sua mãe e foge ! O Menino vive rudemente, dorme ao relento, e é necessário prosseguir o caminho com Ele, custe o que custar. O pequeno infante não sabe ainda andar nem falar: levam-nO, embora na realidade Ele já se tivesse posto em marcha - como sempre estivera - vivendo em campo aberto com O Seu Povo. Jesus, Maria e José : pequena trindade fugitiva que se funde no anonimato das grandes migrações humanas e nos segreda qual foi o êxodo que a Santíssima Trindade teve que re-iniciar para poder habitar em cada um de nós. O Egipto desempenha um lugar importante neste evangelho, onde é mencionado quatro vezes, facto que leva a interessar-nos por todas as descidas ao Egipto que marcaram a história de Israel. Abraão, Jacob e os seus filhos foram ali para fugirem à fome, mas sobretudo, dizem os comentadores judeus, para ali aprenderem a viver como estrangeiros e, assim, se abrirem à alteridade. Como todas as realidades, o Egipto tem uma face positiva e outra negativa: Israel tornou-se ali escravo esquecendo Deus e ligando-se aos ídolos (Ez.20); mas ali fez igualmente a experiência da salvação quando consentiu deixar-se libertar e saiu rico dos tesouros de uma cultura milenar (Êxodo12). Na vida de Jesus, este país desempenha um papel protector, iniciático, simbólico, porque Cristo revive nele o percurso de Israel. Terra de experiência, de passagem e de maturação, o Egipto não é um simples lugar geográfico. Talvez nos possamos contemplar n’O “Menino”, O Verbo eterno que quis fazer-Se um de nós ao ponto de tomar sobre Si a nossa vulnerabilidade, as nossas fraquezas, e assumir as etapas necessárias a qualquer ser humano para poder entrar na terra prometida do seu coração. O que implica confrontar-nos com a diferença, a adversidade, o “não-controle” dos acontecimentos, aprendendo assim a situar-nos com maior justiça em relação a Deus e aos nossos semelhantes, cujas diferenças teremos que respeitar quer nos surpreendam quer nos magoem. Reencontramos esta mesma opção dO Filho, em mergulhar a Sua vida na condição humana, ao longo do Evangelho, em especial nas tentações no deserto e no Getsémani, durante a Paixão. Jesus agarra pelo avesso os nossos fantasmas de omnipotência e recessos securitários, para nos incitar a avançarmos sob o grande sopro dO Espírito, na aceitação da nossa fragilidade humana.



Amemos a precariedade, que é aparentada à oração: é ela que nos faz irmãos dos pobres e nos permite entrar na condição mais íntima e profunda dO próprio Deus.