Durante muito tempo fiel ao rei Henrique II com quem
partilhava os deboches, converteu-se radicalmente e tornou-se arcebispo de
Canterbury. Em conflito aberto com o rei esteve exilado 6 anos. Foi assassinado
na catedral pouco após o regresso.
Ben-Sirá 3, 3-7.14-17a ; Sal 127 ; Colossenses 3,12-21;
Mateus 2,13-15.19-23
“DO EGIPTO CHAMEI O MEU FILHO” Apenas acabámos de pôr as
figuras no presépio e eis que se metem já a caminho, partindo em viagem ! Tantas
idas a vindas são possíveis ver na vida deste jovem casal e como O Menino - não
programado e confiado como estranho tesouro - os impede de assentar! Como Deus,
mal entra em Sua casa, altera o Seu mundo ! Por onde andará esse Deus
instalado, esse Deus confortável da nossa imaginação e dos nossos frágeis
equilíbrios ? Onde está a doce iluminura que construímos da Sagrada Família ?
Levanta-te ! Toma O Menino e a Sua mãe e foge ! O Menino
vive rudemente, dorme ao relento, e é necessário prosseguir o caminho com Ele,
custe o que custar. O pequeno infante não sabe ainda andar nem falar: levam-nO,
embora na realidade Ele já se tivesse posto em marcha - como sempre estivera -
vivendo em campo aberto com O Seu Povo. Jesus, Maria e José : pequena trindade
fugitiva que se funde no anonimato das grandes migrações humanas e nos segreda
qual foi o êxodo que a Santíssima Trindade teve que re-iniciar para poder
habitar em cada um de nós. O Egipto desempenha um lugar importante neste
evangelho, onde é mencionado quatro vezes, facto que leva a interessar-nos por
todas as descidas ao Egipto que marcaram a história de Israel. Abraão, Jacob e
os seus filhos foram ali para fugirem à fome, mas sobretudo, dizem os
comentadores judeus, para ali aprenderem a viver como estrangeiros e, assim, se
abrirem à alteridade. Como todas as realidades, o Egipto tem uma face positiva
e outra negativa: Israel tornou-se ali escravo esquecendo Deus e ligando-se aos
ídolos (Ez.20); mas ali fez igualmente a experiência da salvação quando
consentiu deixar-se libertar e saiu rico dos tesouros de uma cultura milenar
(Êxodo12). Na vida de Jesus, este país desempenha um papel protector,
iniciático, simbólico, porque Cristo revive nele o percurso de Israel. Terra de
experiência, de passagem e de maturação, o Egipto não é um simples lugar
geográfico. Talvez nos possamos contemplar n’O “Menino”, O Verbo eterno que
quis fazer-Se um de nós ao ponto de tomar sobre Si a nossa vulnerabilidade, as
nossas fraquezas, e assumir as etapas necessárias a qualquer ser humano para
poder entrar na terra prometida do seu coração. O que implica confrontar-nos
com a diferença, a adversidade, o “não-controle” dos acontecimentos, aprendendo
assim a situar-nos com maior justiça em relação a Deus e aos nossos
semelhantes, cujas diferenças teremos que respeitar quer nos surpreendam quer nos
magoem. Reencontramos esta mesma opção dO Filho, em mergulhar a Sua vida na
condição humana, ao longo do Evangelho, em especial nas tentações no deserto e
no Getsémani, durante a Paixão. Jesus agarra pelo avesso os nossos fantasmas de
omnipotência e recessos securitários, para nos incitar a avançarmos sob o
grande sopro dO Espírito, na aceitação da nossa fragilidade humana.
Amemos a precariedade, que é aparentada à oração: é ela que
nos faz irmãos dos pobres e nos permite entrar na condição mais íntima e
profunda dO próprio Deus.