1 João 2,12-27 ; Sal 95,7-10 ; Lucas 2, 36-40
ORIENTADOS PARA DEUS (1João 2,12-27). O conhecimento que
Jesus nos dá não é auto-centrado. Ele reenvia-nos aO Pai. Jesus nunca pediu
para O adorarmos, pediu-nos sim que O seguíssemos para nos conduzir aO Pai. Saído
dO Pai, convida-nos a, com Ele, sairmos de nós mesmos. Eis porquê João nos diz
para não amarmos o mundo. Não é porque a humanidade seja má, senão porquê teria
O Seu Filho vindo na nossa carne ? Mas Cristo orientou a carne para O Pai. O
mundo, para João, é essa parte de nós mesmos centrada sobre si própria, como se
estivessemos sós no mundo. João convida-nos então a voltar-nos, com Cristo,
para O Pai.
A VELHA ANA, “IGREJA-MULHER” (Lucas 2,36-40). Há tão pouco
tempo que a Palavra veio ao mundo e como nos faz falar tanto de Si ! Desde a
noite do Seu nascimento, quando os pastores diziam entre eles: “Vamos ver o que
se passa !” E, eis que a velha Ana, reclusa há muitos lustros na
"sacristia" do Templo, também já ouviu falar dela e não fala senão
dela, com a volubilidade deliciosa duma mulher de idade avançada que a vida não
desiludiu, pois continua bondosa e ingénua. Estranha, esta mulher ! Velha como
a Antiga Aliança, antiga como essa Lei que hoje passa a uma nova era, Ana,
gasta como um longo pergaminho, como a Bíblia doméstica que desenrola com os
dedos trémulos e que - graças à sua memória sólida - sabe de cor, de tanto a
meditar dia e noite. Tornou-se profetisa à força de ler e reler os profetas e
de esperar. Taciturna por estado, esta enamorada só fala da Palavra e com que
entusiasmo! Parece estar aqui a prefigurar a Igreja - tão antiga e nova ao
mesmo tempo - Igreja que está sempre a dizer a Palavra, a lê-lA e a comentá-IA.
Porque é na Igreja e pela Igreja que O Menino cresce, que a Palavra cresce.
A Igreja, simultaneamente meditativa e missionária (tal como
Ana), sem ser tagarela, está munida da Palavra para afrontar todos os combates.