1 João 5,14-21 ; Sal 149,1-ba. 9b ; João 3, 22-30
A história que nos relatam é estranha. Jesus chega à região
onde estava João, e começa a baptizar. João - por seu lado - continua também a
baptizar. Não deveria João ter parado de baptizar logo que Jesus iniciou a
administração desse rito ; ou, então, não poderia Jesus ter deixado João
continuar a fazer baptismos de preparação e fazer Ele próprio outra coisa:
ensinar, curar, tudo menos baptizar ? Compreende-se que os judeus e os
discípulos estivessem confusos : que baptismo deviam receber, o de João ou o de
Jesus? Na realidade, embora o que se passou nos possa parecer ilógico, talvez
tivesse sido mais adequado à natureza humana, mais matizado, mais respeitador
dos caminhos de cada um. João não ignorava quem era O Messias e, portanto, qual
era O verdadeiro Baptismo. Mas, se as pessoas - ainda mal informadas acerca de
Jesus - ou seduzidas pela personalidade de João, vinham até ele, porquê
impedi-las e não as colocar antes no caminho de Cristo? E porque fecharia Jesus
o Seu caminho, ao lado do qual se perfilava João, e recusaria continuar a sua
pedagogia que tão necessária fora durante tanto tempo? Bastaria que as coisas
encontrassem pouco a pouco o seu lugar : que João diminuísse e Jesus crescesse,
sem que ninguém fosse impedido de caminhar ao ritmo da Sua graça.
Não seremos nós, por vezes, quando se trata dos outros, mais
apressados que Deus ?