Deus dá-nos sinais nos momentos mais inesperados. A
senhora Aviat tinha mandado reparar os seus óculos. A filha mais nova, Leónida,
fora buscá-los e, ao entrar na oficina, descobriu repentinamente a realidade da
revolução industrial, que multiplicava usinas e ateliers, mas fragilizava e
pauperizava toda uma mão de obra barata vinda dos campos. À vista dessas jovens
trabalhadoras da “Fábrica de óculos Sézanne” (Marne), Leónida emocionou-se e
sentiu o desejo de “se esquecer inteiramente de si”. O seu amigo abade Louis Brisson,
(beatificado em 2012), homem de fé ardente, igualmente preocupado com o
abandono moral e material de tantas operárias, fundara para estas raparigas
lares e patronatos. Em 1866 confiou a Leónida o cargo da sua administração e
para lhes garantir perenidade criaram a Congregação das Oblatas de S. Francisco
de Sales, de que ela foi a 1ª superiora. As necessidades eram imensas e, assim,
a obra expandiu-se geograficamente com pensionatos, escolas e orfanatos, sob a
orientação abnegada da, agora, Irmã Francisca de Sales. Todavia, a partir de
1879 ela foi afastada, negligenciada e humilhada na própria congregação ! Sofreu
muito, mas com tão admirável humildade que as suas irmãs a elegeram, quinze
anos mais tarde, novamente superiora geral. Actualmente difundidas, na Europa,
África e América, as “Oblatas de S. Francisco de Sales” continuam fiéis à
recomendação da sua fundadora (cuja morte ocorreu faz hoje precisamente cem
anos) : “Trabalhemos para fazer a felicidade dos outros”. O Papa João Paulo II
canonizou-a em 2001.
1João 5, 5 -13 ; Sal 147,12-15.19-20 ; Lucas 5,12-16
CADA VEZ SE FALAVA MAIS D’ELE (Lucas 5,12-16). O traço comum
dos evangelhos desta semana é a crescente notoriedade de Jesus. São evangelhos
de Epifania : Jesus dá-se a conhecer, fala-se d’Êle, as multidões comovem-se.
Tempos de entusiasmo e de espanto, fundados na firme pureza do ensino de Jesus
e no poder insólito dos Seus milagres. Então, uma questão premente se coloca
nos dias em que vivemos : como viver estes evangelhos hoje ? Onde poderemos
encontrar este Cristo empolgante e eficaz ?
Mas talvez seja melhor substituir esta questão por outra :
será que desejamos encontrar Cristo ? Será que temos vontade - em tempos de
incerteza e desconfiança - de acatar um ensino firme, aceite com fé, sem à
partida criticarmos os seus valores ou a sua formulação ?
Será que acreditaríamos se - por um dom de curar que recebêssemos - novos milagres incontestados ocorressem no meio de nós ?