1 João 4,11-18 ; Sal 71, 2.10-13 ; Marcos 6, 45-52
CONFIANÇA! (João 4,11-18). Confessemos que, na nossa relação
com Deus, a perturbação se sobrepõe muitas vezes à espontaneidade afectuosa da
criança: “No amor não há temor, diz-nos S.João, o amor perfeito expulsa o
temor”. Petrificados pelas angústias, onde poderemos encontrar uma tal
segurança ? No Evangelho ! Enfrentando os ventos violentos dos contraditores
que se opunham à Sua filiação divina, Jesus manteve a Sua a rota na direcção dO
Pai. Com O Bem-Amado, bebamos nas águas vivas da oração a esperança necessária
para atravessa as borrascas que destroçam os nossos destinos.
COMO ATRAVÉS DOS CAMPOS (Marcos 6,45-52). Como num desenho
infantil - o Evangelho é muito gráfico, muito imaginativo - vemos o mar e a
montanha. Jesus está lá no alto, aparentemente sózinho, com O Pai. Os discípulos
cá em baixo, também sozinhos, noutra solidão maior, por ser solidão abandonada
e inquieta. Então, sem interrupção - de tanto viver junto dO Pai - Jesus desce
em socorro deles pois é a Sua função - é O Seu próprio Nome - e caminha sobre o
mar como se fosse através dos campos. Mal põe os pés a bordo, o vento amaina e
volta o bom tempo. Sua presença real e encoberta prova ser dissuasora : Ele é O
Pacificador. Com Ele a bordo, a barca torna-se tabernáculo, estranho
tabernáculo que avança. É assim que também vai a Igreja, duplamente frágil -
que sorte e bem-aventurança ! - pois está exposta, simultaneamente, às
intempéries do mundo e à infinita densidade do que tem por objecto e transporta
com Ela. Jesus poderia ter alcançado os Seus fins pelos próprios meios - num
relâmpago - mas quis arriscar-se numa embarcação precária, com tripulação
incerta. Porque O “Eu Sou” pretende estar connosco para corresponder ao nome de
Emmanuel.
Para o vento não nos desnortear e desviar do caminho, um dia
“Ele Próprio” soprará sobre nós (Jo.20,22-23).