1João 4, 7-10 ; Sal 71, 2-4ab. 7-8 ; Marcos 6, 34-44
ELE VEIO SACIAR AS NOSSAS FOMES (1 Jo.4,7-10). Fome de
felicidade, de justiça, de amar e ser amado, reconhecidos na nossa misteriosa
singularidade. Terá sido por acaso que o primeiro berço de Jesus foi uma manjedoura ? Felizes somos nós por ser convidados à mesa da Sua Palavra e do
Seu corpo. Ali ressoa o apelo urgente da epístola de S.João: “Meus filhinhos,
amai-vos uns aos outros, porque o amor vem de Deus”. Mendigos do amor, entremos
nesta relação aberta à multidão pelO “Verbo feito irmão”.
TABUADAS DE MULTIPLICAÇÃO (Mat.6,34-44). Cinco pães
multiplicados por 2 peixes, igual a cinco mil homens. Na verdade, este homem
faz o que lhE apetece! Brinca com os números e com as espécies. Mas atenção,
não é um prestidigitador: é um poeta, o que é diferente. A generosidade já
caracterizara o Acto criador do Génesis ; a abundância de alimentos e dos
convivas era - nos relatos dos profetas - a marca característica dO Reino
prometido. Agora, neste gesto liberal de restauração, magnífico “pic-nic”, é
como Palavra criadora que Jesus Se manifesta, numa Epifania comparável à de
Caná. É o início dO Reino assinalado com gloriosa pobreza. De hoje em diante,
Jesus não deixará de colocar a mesa até ao dia em que, tomando-Se nas próprias
mãos mudará o Seu destino de homem em banquete para nós e Se proporá a Si mesmo
como alimento. Jesus pega nos pães da terra, nos peixes do mar, e ergue os olhos
ao céu: toda a Criação está ali, pujante, graciosa, como se tivesse sido
reunida num único feixe de oferendas.
Os homens também estão felizes por não serem simples
assistentes e terem muito que fazer : há que distribuir os pães e recolher
todos os pedaços e migalhas, para que ninguém fique esquecido e nada do que é
de Deus se perca.